quarta-feira, 16 de março de 2011

ENZIMAS CARDÍACAS



As enzimas cardíacas, também chamadas de marcadores de necrose miocárdica (pois indicam a morte de células do músculo cardíaco), são um elemento indispensável para o diagnóstico definitivo do infarto do miocárdio, também chamado de infarto agudo do miocárdio (ataque cardíaco).
As enzimas cardíacas costumam ser solicitadas em pacientes cujos sintomas (o principal deles é a dor torácica de início recente), o eletrocardiograma ou outro elemento clínico, levantem a suspeita de um infarto do miocárdio. Estas dosagens não necessitam de jejum.
O infarto do miocárdio pode cursar com um eletrocardiograma normal ou inespecífico (sem alterações sugestivas da doença), mas a elevação das enzimas cardíacas é  obrigatória para esse diagnóstico. No entanto, como essas enzimas costumam se elevar dentre de algumas horas, pacientes com dor torácica e eletrocardiograma típico de infarto do miocárdio, devem ser encaminhados imediatamente para alguma terapia visando abrir a artéria obstruída (angioplastia coronariana ou o uso de trombolíticos, medicamentos que dissolvem coágulos no sangue).
As enzimas cardíacas costumam ser dosadas de forma seriada, ou seja, no momento da internação e dentro de alguns intervalos, estabelecidos de acordo com o quadro clínico de cada paciente.
Enzimas cardíacas:
* Creatinofosfoquinase (CPK) fração MB:
É a chamada CPK-MB massa. Esta enzima eleva-se no sangue, entre 3 e 6 horas após o início dos sintomas de infarto do miocárdio, com um pico de elevação entre 16 e 24 horas, normalizando-se entre 48 e 72 horas (essa normalização costuma ser um dos critérios para alta do paciente da unidade de terapia  intensiva). Apresenta sensibilidade diagnóstica (capacidade de identificar o infarto do miocárdio) de 50% em três horas após o início dos sintomas  e de 80% cerca de 6 horas após.
* Mioglobina:
É uma enzima cardíaca cujos  valores de referência, variam com a idade, o sexo e a raça. Esta enzima é liberada rapidamente pelo miocárdio lesado, começando a elevar-se entre 1 e 2 horas após o início dos sintomas de infarto do miocárdio, com um pico de elevação  entre 6 e 9 horas e normalização entre 12 e 24 horas.
Embora pouco específica, pelo seu elevado valor preditivo negativo (que varia de 83% a 98%), é excelente para afastar o diagnóstico de infarto do miocárdio. A sua elevação não confirma o diagnóstico, mas quando o seu valor é normal, praticamente afasta o diagnóstico da doença.
* Troponinas:
São enzimas que estão presentes no sangue sob três formas de apresentação (troponina C ou TnC, a troponina I ou TnI e a troponina T ou TnT). Estas enzimas elevam-se entre 4 e 8 horas após o início dos sintomas, com pico de elevação entre 36 e 72 horas e normalização entre 5 e 14 dias. Apresentam a mesma sensibilidade diagnóstica da CK-MB entre 12 e 48 horas após o início dos sintomas do infarto do miocárdio, mas na presença de portadores de doenças que diminuem a especificidade da enzima CPK-MB, elas são indispensáveis.
Embora consideradas específicas para o miocárdio, resultados falso positivos (que  não causados pelo infarto do miocárdio ou outras doenças que afetem o músculo cardíaco), foram observados por causa da presença de fibrina no soro ou por uma reação cruzada com anticorpos humanos.

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